quarta-feira, 21 de abril de 2010
Se eu pudesse...
Se eu pudesse ter só mais uma conversa com você, se você pudesse me convencer que não gosta mais de mim. Se eu tivesse a chance de ver seu sorriso mais uma vez, de brigar mais uma vez com o meu sono para não tirar a lucidez da minha felicidade de estar deitada ao lado da mulher que mudou minha vida, de ouvir mais uma vez você responder à pergunta QUEM É O AMOR DA MINHA VIDA? com um simples SOU EU… Se eu pudesse te entender, se eu pudesse te esquecer, se você pudesse me abraçar…
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Tua carta.
Tua carta.
Quando reli tuas palavras, tão mal fixadas num velho papel cor-de-nada, uma dor veio-me ao peito. O passado abriu o portão, bateu na porta, e o som ecoou pelas paredes. Teu riso gargalhou em meus ouvidos, e a cor de teus cabelos atravessou as cortinas. Em tuas palavras, eu era sempre tão grande, como um herói de guerra. Mas relendo-as, diminuí de tamanho. A distância com a qual via-me - através de todos os carros, prédios e concretos -, possibilitava que segurrasse-me na ponta de teus dedos. Como será que escreveria-me agora, agora que tuas palavras desgrudavam-se da tinta que evaporava da folha? Como será que contaria-me tuas notícias, que sem dúvidas, já chegariam envelhecidas? Como será que falaria-me de meus olhos, se mal podes ver minha silhueta com nitidez? Tu fostes, por tempo pouco, meu espelho adulterado, cujo reflexo era de meu agrado. Quando perdi-te de vista, e perdi também no tempo, perdi-me um pouco. Como será que falaria-me das minhas tormentas, se os obstáculos entre nós impedem-nas de chegarem a ti? Como falo de saudade se ainda és tão presente? Passo nova tinta em tuas palavras, e escrevo outras mais: "Querido amigo, esquecemos de mim".
Quando reli tuas palavras, tão mal fixadas num velho papel cor-de-nada, uma dor veio-me ao peito. O passado abriu o portão, bateu na porta, e o som ecoou pelas paredes. Teu riso gargalhou em meus ouvidos, e a cor de teus cabelos atravessou as cortinas. Em tuas palavras, eu era sempre tão grande, como um herói de guerra. Mas relendo-as, diminuí de tamanho. A distância com a qual via-me - através de todos os carros, prédios e concretos -, possibilitava que segurrasse-me na ponta de teus dedos. Como será que escreveria-me agora, agora que tuas palavras desgrudavam-se da tinta que evaporava da folha? Como será que contaria-me tuas notícias, que sem dúvidas, já chegariam envelhecidas? Como será que falaria-me de meus olhos, se mal podes ver minha silhueta com nitidez? Tu fostes, por tempo pouco, meu espelho adulterado, cujo reflexo era de meu agrado. Quando perdi-te de vista, e perdi também no tempo, perdi-me um pouco. Como será que falaria-me das minhas tormentas, se os obstáculos entre nós impedem-nas de chegarem a ti? Como falo de saudade se ainda és tão presente? Passo nova tinta em tuas palavras, e escrevo outras mais: "Querido amigo, esquecemos de mim".
Desata-se.
Por muitas vezes, quis que quisestes-me mais. Por tantas outras, não quis e foi quando quisestes. E olhava-me com aquela cara debochada, como se meu querer fosse guiado pelo teu, como se já não bastasse ter-me na palma da mão e na ponta dos pés. E então olhava-me com aqueles olhos estúpidos de sono. E beijava-me com o frescor de hortelã. E era quando amassava os lençóis e disfarçava a lentidão de nosso sono. Quis eu não ter querido tanto, pois queria mais do que era-me cabível. Desentendia a volúpia que faltava em sermos nós. E de nós em nós, finalmente desatados. E foi quando nada mais queríamos. E não olhava-me mais.
Sonhava,
Noite passada sonhei que, daqui trinta anos, sentava-me ridiculamente no chão de um hipermercado para catar os comprimidos para a pressão alta, e via-te passar. Estava toda pomposa empurrando o carrinho - devia ter acabado de descobrir que havia perdido cinco dos trinta quilos que havia ganhado com os anos. Estava vestida com um macacão que, hoje, chamaria de cafona, e tinha os cabelos - poucos, pouquíssimos - presos em uma trança mal feita. "Quem diria", pensei, ainda tinha aquela pose de - não tão - supermodelo de calendário de oficina, aqueles lábios que, de tão vermelhos, pareciam um estouro. Não conseguia e não pude conter a risada quando percebi que parava frente aos produtos e contava as calorias nos dedos. Quando foi que tornastes tão disposta eu não sabia...observava-te sem que percebesse-me - por hora -, mas minha risada foi tão estridente quando ajeitou as sobrancelhas no reflexo do vidro do congelador em que estavam os sorvetes, e apertou, com ingratidão a vida, a cintura com as mãos que, enfim percebeu minha presença. Olhou-me surpresa. Olhou-me vermelha. Olhou-me sem graça. Olhou-me pálida. E olhou-me com raiva quando percebeu que sequer pés-de-galinha haviam em meu rosto. Nos segundos em que permaneceu sem sibilar uma palavra sequer, percebi que tentava desvendar meu segredo. O olhar era, ao mesmo tempo, de um adolescente invejoso e de um historiador esfomeado. Não, minha cara, não te preocupastes, não estava ali para desvendar o segredo do Graal. O plano superior a minha existência era ela própria. Estava tu ali, de alma tão gorda no agora. E eu um homem de passado, presente e futuro intactos. Diria-te o porquê: foi por amar-te tanto, foi por querer-te tanto, foi por tornar a ti e a mim eternos, foi porque não amou-me, foi porque não quiseste-me, foi porque sequer deu-nos um espasmo de momento. Ou então...porque era apenas um sonho.
Licença Poética
Desliguei todas as luzes. Liguei o abajur. Acendi um cigarro. Abri um vinho. Fechei meus olhos.
Estou tentando sonhar. Me dê licença, por favor.
Estou tentando sonhar. Me dê licença, por favor.
Decisões.
Estou há exatas dez horas sem fumar. Sim, o sol apontando na beirada da janela entrega que algumas dessas horas foram passadas em sono profundo ou amassando os lençóis da cama. O que importa, na realidade, são as horas que estou sem fumar desde que acordei. Duas, talvez três...está bem, duas horas e trinta e sete minutos, para ser mais exato. É como se eu não tivesse dormido, nem acordado. Mais do que fundamental é o escorregar da fumaça pela garganta no nascimento de um dia. A ausência de um cigarro é irremediável. O único momento que talvez tenha a mesma necessidade de um trago, é o momento em que acaba de se conceber um amor - ou um capricho da carne -, e aquelas milhares de substâncias sejam necessárias para suprir um suspiro - ora de encanto, ora de tédio. Mas sem o tóxico "Bom dia!", sem o abrir dos olhos ao riscar o primeiro fósforo, sem que possa desenhar círculos projetando a fumaça na boca, um dia não é dia, é excesso de fôlego.
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